primeiro de maio 2019

No dia 22 de novembro de 2018, a gente tava no CABio (Centro acadêmico autogestionado da Biologia da UFSC) e a Cassi falou que tinham nos convidado pra apresentar alguma coisa no Sarau do Primeiro de Maio em Joinville. Vocês aceitam? Óbvio que a gente aceita.

Mas vamo apresentar o quê? Ah, vamo bolar uns números, com música e poesia e cartas. Mas e por que a gente não monta uma peça inteira?

Aí brilharam os zoinho e foi assim que começamos a criar um espetáculo específico pra apresentar no Sarau do Primeiro de Maio em Joinville.

Foram dois meses, só dois meses, de ensaio duas vezes por semana. Fora as tarefas que a gente levava pra casa. E na metade do processo a gente resolveu mudar praticamente tudo e repensar o espetáculo… Foi lindo. A gente ensaiava no Centro de Convivência da UFSC. Umas vezes ensaiamos também no teatrinho aquele escondido a céu aberto que fica entre uns prédios da UFSC na saída pro Pantanal (tem algo a ver com MIP, mas não sei o que significa).

Fizemos uma peça inteira sem pensar que nome ela teria. A gente só percebeu que tinha que botar nome naquilo quando nos pediram pra colocar na programação do Sarau. E aí, depois dumas propostas que agradavam umas pessoas e desagradavam outras, chegamos no consenso de ironizar um slogan de campanha da gestão Michel Temer: “Não pense em trabalho: crise!”

Uma semana antes do Sarau, tinha uma oficina de Teatro do Oprimido em Joinville, no mesmo lugar em que seria o Sarau: na Associação de Moradores do Bairro Itinga, Amorabi. Baita lugar. Da oficina participaram três gotas, e acharam bem bom poder fazer essa “vivência” antes da estreia da peça. O restante das gotas chegou na noite anterior ao Sarau, e assim foi possível fazer um ensaio no próprio dia, tranquilizando os corações das gotas mais preocupadas.

Mas a tranquilidade só veio mesmo às nove da noite, quando a gente terminou de apresentar: é que nos botaram como última “atração”.

Deu pra perceber direitinho como o público mudou desde o começo do Sarau até a nossa apresentação. As primeiras apresentações eram de Teatro Fórum, duas cenas construídas na oficina de Teatro do Oprimido, então as pessoas do público eram meio que parentes das que tavam apresentando, além das envolvidas em outras apresentações da tarde. Muita gente branca. Mais pro fim da tarde, conforme ia acabando o “horário comercial”, iam chegando pessoas que até aquele momento tinham estado trabalhando (infelizmente o dia primeiro de maio tá sendo um feriado só pra algumas pessoas, mas quem trabalha em serviços básicos ou comércio dificilmente deixa de trabalhar nesse dia… Ah como seria legal uma grande greve geral!). De noite, então, o público era composto mais por pessoas do bairro, pessoas mais pobres e negras.

A nossa apresentação? Perfeita. A melhor performance que fizemos. Impressionante mesmo como a gente “cresceu” na hora do vamovê.

De modo geral, foi bem bom ter essa tarefa de criar uma peça pra apresentar no Sarau do Primeiro de Maio em Joinville. A gente percebeu que somos capazes de se divertir e se emocionar e também de fazer as pessoas se divertirem e se emocionarem.

De aprendizado pras próximas criações, queremos levar a tranquilidade. Fazer tudo com mais calma. Pra não pirar mesmo. Pra se divertir e se emocionar melhor.

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