No dia 20 de junho de 2019 apresentamos a peça Não pense em trabalho: crise! na Escola de Ensino Básico Jurema Cavallazzi bairro José Mendes, com professoras/es e alunas/os do Projeto de Educação Comunitária Integrar que ofertam um cursinho pré-vestibular. Essa foi nossa primeira apresentação depois da estreia no Sarau Primeiro de Maio evento organizado pelo Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), na AMORABI.
Esse projeto, de acordo com sua página no facebook, foi criado em 2011. Ele é constituído por professoras/es voluntárias/os que oferecem preparação “engajada, consciente e cidadã” para o vestibular, direcionado a pessoas de baixa renda. Por isso também a escolha do local onde as aulas são ofertadas. A escola está localizada no bairro José Mendes, que se situa na parte sul do maciço do Morro da Cruz se encontra ao leste com o bairro Saco dos Limões, ao norte com o Morro do Mocotó e ao oeste com o bairro Centro, sendo banhado ao sul pela Baía Sul. Os morros citados sofrem com pouca estrutura urbana e extrema violência policial. De acordo com sua página, o Projeto Integrar entende que seus objetivos vão além de um mero cursinho pré-vestibular, tem um posicionamento político de que a educação é um direito de todas/os, e busca dar acesso à universidade à qualquer pessoa, independente da classe social, gênero e etnia: “O ideal coletivo não é uma utopia, é antes uma rica realidade. Mais que um cursinho, somos uma ideia que espera, sinceramente, reverberar em toda a sociedade civil organizada”[1].
Algumas pessoas do G.O.T.A., já haviam participado do Projeto Integrar e sentiam um imenso carinho pelo trabalho ali ofertado, além de uma das professoras ali presentes, terem participado do Curso Livre de Teatro e Anarquismo, de onde nasce o G.O.T.A. e apresentado uma das cenas no Colóquio de Pesquisa e Anarquismo, em 2018.
Nas fotos, à primeira vista, o ambiente onde apresentamos se assemelha a uma prisão, com grades nas portas e janelas, espaço frio, com pouca luz, infelizmente essa é a imagem de grande parte das instituições de ensino, principalmente as públicas. Mas o público, se mostrou o oposto das características do espaço físico. Apesar de certa timidez, reagia à peça, com curiosidade e alegria. Eram professores e estudantes do cursinho, em um dia de aula liberado para o teatro.
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Além da roda de conversa, pensamos que seria importante fazer uma atividade prática juntos com as pessoas que estavam presentes. Para isso, decidimos que faríamos o jogo da máquina, para aproveitar e compartilhar parte de nosso processo de criação da peça. Fizemos as três etapas do jogo de Augusto Boal: a máquina do amor, em que as pessoas fariam movimentos e sons que remetessem ao que elas entendem por amor; em seguida a máquina do ódio, com movimentos e sons que representassem esse sentimento; e por último a máquina do Cursinho Integrar, em que cada um transpusesse em seu corpo movimentos e sons que se relacionassem com suas experiências e sentimentos quanto ao cursinho. Esse último exercício foi muito emocionante. As pessoas que entravam na máquina, representavam movimentos de afeto, de comprometimento, de alegria. As lágrimas começaram a brotar dos olhos de algumas pessoas, professoras/es e alunas/os. Foi lindo poder perceber como esse projeto transcende o objetivo final de “passar no vestibular” e cria laços e outras formas de aprendizado.
Neste dia sentimos que a apresentação da peça foi apenas uma parte de nossa interação com aquelas pessoas. Conversando e jogando com elas, pudemos nos aproximar, trocar ideias e conhecer esse lindo projeto.
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[1] Disponível em: < https://www.facebook.com/ProjetoIntegrar/about/?ref=page_internal>. Acesso em: 27 de ago. de 2020.